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Jack Estripador

No Outono de 1888, 5 assassinatos cometidos em Londres entraram para a história como The White Chappel Murders. Esses crimes foram pioneiros nos métodos de investigação que utilizamos até hoje, mas apesar das pistas, a identidade de Jack Estripador continua um mistério.

Zona leste de Londres, final do século XIX::

A miséria domina em ruas imundas onde bêbados, prostitutas, criminosos e viciados rondam as ruas que cheiram a ópio, 24 horas por dia.

A Polícia Metropolitana de Londres estima que cerca de 1200 prostitutas trabalhavam em 62 bordéis em White Chappel, uma área de 10 quadras.

Para a maior parte delas, se prostituir não era ocupação principal: as fábricas ocupavam a maior parte do dia, e a prostituição à noite para complementava a renda.

Um total de onze prostitutas foram mortas naquele outono em White Chappel, mas apenas 5 crimes são definitivamente atribuídos à Jack the Ripper

Esses 5 assassinatos, os Crimes Canônicos, causaram paranóia geral na população e expôs para o mundo a realidade precária que o povo Londrino vivia na época.

Vitimas Canônicas:

As 5 vitimas dos Crimes Canônicos tinham algumas características em comum: Todas eram prostitutas, bêbadas na ocasião do assassinato, encontradas tarde na noite em finais de semana, com as pernas abertas e as gargantas dilaceradas.

O grau de mutilação dos corpos progrediu gradualmente.

  1. Mary Ann Pauli Nichols, 43 anos

    Mary Ann, alcoólatra e prostituta ocasional, foi encontrada morta às 4:35 da manhã de 31 de Agosto de 1888 na porta de um estábulo, com lacerações profundas no pescoço e abdome.

    Um instrumento muito afiado foi usado para cortar a garganta de Mary Ann 2 vezes, da esquerda para a direita, tão profundamente que suas vértebras estavam expostas.

    Parte de suas vísceras estavam para fora do corpo mas pouco sangue foi encontrado no local.

    O local publico onde a vitima foi encontrada significou que uma multidão logo se acumulou ao redor do corpo e muitas evidências foram perdidas.

    Isso também demonstrou que Jack Estripador não procurava se esconder, e o risco de ser pego era provavelmente fazia parte da trama.

  2. Anne Chapman, 47

    Costureira, florista e mãe de 3, a morte de uma de suas filhas seguida do final de seu casamento levaram Annie a beber e se prostituir em White Chappel.

    Seu corpo foi descoberto por volta das 6 da manhã do dia 8 de Setembro, no quintal de uma casa ocupada por 16 pessoas.

    Testemunhas viram Annie conversando com um homem que carregava um pacote pouco antes do crime, mas nenhum dos moradores viu ou ouviu nada.

    Ela foi asfixiada com um lenço antes de ter seu pescoço dilacerado, os intestinos esticados em ambos os ombros e parte do útero removido.

    Jack Estripador tem algum conhecimento de anatomia, concluíram os relatórios da polícia.

  3. Elizabeth Stride, 44

    Elizabeth foi vista pela ultima vez recusando um programa no domingo, 30 de setembro de 1888 as 00:45.

    Ela estava conversando com um homem carregando um pacote, 25 minutos depois, Elizabeth foi encontrada em um beco de Burner Street ainda sangrando, com um lenço amarrado no pescoço cortado.

    Ela não foi mutilada como as outras vitimas, o que sugere que Jack Estripador tenha sido interrompido durante o crime.

  4. Catherine Eddowes, 46

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    Na mesma noite de 30 de Setembro, 1:45 am, Kate foi encontrada com seu pescoço cortado e seu corpo ainda quente.

    Além do corte no característico, os intestinos de Kate estavam depositados sobre seu ombro direito, seu rosto mutilado e parte rim direito e da orelha do corpo estavam faltando.

    Naquela noite, um pano ensangüentado, mais tarde identificado como o avental de Catherine, foi encontrado nas proximidades de onde o crime ocorreu.

    Acima, escrito na parede com giz, a frase The Juwes are the men that will not be blamed for nothing (Os judeus são os homens que não serão culpados de nada). 

    O capitão da policia, temendo um ataque anti-semita, ordenou que a parede fosse apagada antes do sol nascer, eliminando a evidência.

  5. Mary Jane Kelly, 25

    Na manhã de 11 de Novembro, o dono do apartamento onde Mary morava foi recolher seu aluguel atrasado.

    Sem obter resposta, ele entrou no apartamento, onde encontrou o corpo de Mary, a ultima vitima conhecida de Jack Estripador e a única morta em casa, dando tempo e privacidade para que ele cometesse coisas terríveis.

    Toda a superfície do abdome e das coxas de Mary haviam sido removidos e colocados sobre a mesa de cabeceira.

    As vísceras estavam espalhadas por vários lugares: O útero, rins e um dos seios sob a cabeça da vitima. O outro seio depositado próximo ao seu pé esquerdo. Os intestinos do lado direito e o baço do lado esquerdo do corpo. O rosto, assim como o resto do corpo haviam sido dilacerados com cortes profundos. A lareira indicava que algo havia sido cozido recentemente. O coração da vítima não foi encontrado.

    Essa foto foi tirada da cena, a primeira fotografia forense de que se tem noticia.

    O corpo de Mary Jane Kelly, u ultima vítima de Jack Estripador
    O corpo de Mary Jane Kelly, u ultima vítima de Jack Estripador

Evidencias:

A Policia Metropolitana recebeu mais de 200 cartas, supostamente enviadas pelo assassino, até meados dos anos 60.

Apenas 3 dessas cartas são consideradas legitimas, apesar de nenhuma ter sido confirmada.

  • Dear Boss:

    A única carta reconhecida como genuína por estudiosos de Jack The Ripper, os chamados “Ripperólogos”.

    Ela foi recebida pela Metropolitan Police no dia 27 de Setembro de 1888. Na carta, o remetente menciona que vai cortar a orelha de sua próxima vitima.

    Catherine Eddowes, a segunda vitima da noite de 30 de Setembro, teve um pedaço de sua orelha cortada.

    Essa carta, assinada “Jack The Ripper”, deu o nome ao assassino de Jack Estripador.

  • From Hell:

    A carta recebida pelo chefe da vigilância de White Chappel no dia 16 de Outubro de 1888 continha um pedaço de rim humano.

    Apesar das técnicas da época não poderem provas que o rim era o mesmo de Catherine Eddowes, ele apresentava traços do mesmo problema renal do qual a vitima sofria.

  • Saucy Jack:

    Um cartão postal, assinado por Jack Estripador, foi recebido na manhã de 1 de Outubro pela policia Londrina. Nele, o remetente menciona os dois crimes ocorridos na noite anterior, apesar dos detalhes ainda não terem sido divulgados pela imprensa.

    Mais tarde, o  jornalista Frederick Best do jornal Star confessou ter forjado a carta Dear Boss assim como o cartão postal para vender mais jornais. A policia nunca confirmou a confissão.

O diário de Jack Estripador:

Em 1992, um documento conhecido como “O Diário de James Maybrick” veio à tona. O autor não menciona os crimes de fato, mas existem referencias e pistas suficientes para que os leitores sejam levados a acreditar que ele seja o culpado pelos 5 assassinatos canônicos, assim como outros 2 nunca identificados.

O diário foi apresentado por Michael Bear, um dono de ferro-velho aposentado de Liverpool, que disse que ganhou o livro de um amigo num Pub.

O diário foi publicado em 1993 como “O Diário de Jack Estripador”, sob muitos protestos de Ripperólogos céticos.

Análises confirmam que a tinta e o papel usados na carta eram de fato do final do século XIX.

Jack Estripador e a Pericia Forense:

A ciência forense teve inicio com os crimes em White Chappel, sob pânico da população e a pressão na polícia, que desenvolveu técnicas para investigar os casos.

Os assassinatos de Jack Estripador foram a primeira vez em que:

  • A Policia Metropolitana de Londres bateu de porta em porta, entrevistando moradores e colhendo informações.
  • Evidências foram recolhidas e examinadas
  • Polícia e imprensa estiveram intimamente ligados;
  • Um caso de assassinato teve repercussão mundial;
  • Comparação entre cadáveres serviu para conectar os crimes.
  • A cena do crime foi fotografada;

No total, 2000 pessoas foram questionadas, 300 investigadas e 80 presas, num procedimento que continua sendo usado até hoje.

Depois de 3 anos de investigação, o caso foi fechado. Policiais encarregados do caso levaram evidências para casa como souveniers, e o resto das provas foram destruídas no bombardeio da Scotland Yard. 125 anos depois, o caso continua sem solução.

Suspeitos

Existem mais de 170 suspeitos dos crimes canônicos e até hoje 5 ou 6 novos candidatos à Jack Estripador surgem todo ano. 

Todas as teorias concordam que ele era um homem.

Algumas dizem que ele vivia em White Chappel e conhecia as garotas mortas, outras que o assassino era rico e influente, conseguindo e assim cometer todos esses crimes sem ser preso.

Médicos, cirurgiões e açougueiros foram os principais suspeitos na época, devido a a natureza das lacerações nas vitimas. Como todas foram mortas no final de semana, é provavel que o assassino tinha um emprego fixo durante a semana.

Neville Mcnoton, comissário da Policia Metropolitana, escreveu em seu relatório final em 1889 quem ele acreditava ser os 3 maiores suspeitos: Micheel Ostrog, um ladrão convicto que mais tarde revelou estar preso na França durante os assassinatos; Montague John Druitt, diretor de escola, que se suicidou no Rio Tamisa logo depois do último crime canônico e Eric Consmiski, um pedinte local com problemas mentais, que não era conhecido por ser violento.

Hoje, os principais suspeitos da identidade de Jack Estripador são:

  • George Chapman

    George era um barbeiro Polonês que se mudou Londres pouco antes do inicio dos crimes em White Chappel. Ele foi para Nova Jersey pouco antes do assassinato ocorrido em Nova York, que teve as mesmas características dos crimes de Jack.

    Ele acabou condenado à morte nos EUA depois de envenenar 3 de suas esposas, mas apesar das evidências, estudiosos descartam a possibilidade de que George seja o assassino, já que serial killers não mudam o estilo de suas mortes.

  • James Maybrick

    O autor do diário encontrado em 1992 era um comerciante de algodão de Liverpool.

    Ele foi envenenado por sua esposa no dia 11 de Maio de 1889, aparentemente depois que ela descobriu que o marido era o assassino.

  • Robert Mann

    Robert era o encarregado da polícia que recebia os corpos das vitimas de Jack para o sepultamento.

    Se o livro Case Closed estiver certo e Robert for o assassino, essa foi a primeira vez na historia que um corpo visitou o assassino (bazinga).

    Ele teria tirado a roupa de Pauli Nichols para mostrar o trabalho do assassino ao seu assistente, o que ele era estritamente proibido.

    Robert era encarregado da polícia por estar preso na delegacia, mas apesar de toda a liberdade que tinha com os corpos, teria sido difícil sair da prisão nos finais de semana para matar prostitutas.

  • Walter Sickert

    Walter era um pintor relativamente famoso na época dos assassinatos – seu tema favorito eram mulheres nuas mortas.

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    A escritora Patricia Cornwall comprou o quadro acima e o cortou em pedacinhos durante a pesquisa para o seu livro Portrait of a Killer: Jack the Ripper—Case Closed (Retrato de um Assassino: Jack Estripador Caso Encerrado). Evidências mostram que Robert estava na França durante os crimes.

Walter não foi o único famoso suspeito de ser Jack Estripador. O autor Lewis Carrol aparentemente incluiu anagramas em sua obra Alice no Pais das Maravilhas confessando o crime.

Outra teoria aponta o Príncipe Albert, que teria ficado louco em conseqüência de sífilis e usou a Família Real para permanecer impune.

Quem você acha que foi o assassino? Deixe um comentário.

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